O programa, que impulsiona o potencial de empresas de exploração mineral em todo o mundo, está em seu quarto ano. Participantes de edições anteriores destacaram o valor que a iniciativa agrega a cada empresa envolvida, com alguns afirmando que a experiência equivale a concluir um MBA em exploração mineral.
O BHP Xplor oferece aportes de US$ 500 mil, além de suporte abrangente a mineradoras juniores. A iniciativa faz com que a gigante diversificada da mineração atue como uma espécie de investidora de capital de risco, aplicando capital semente em ideias geológicas promissoras e desenvolvendo uma nova geração de empresas emergentes. Até este ano, o foco estava exclusivamente na exploração mineral tradicional dessas companhias. No entanto, a edição 2026 traz algumas mudanças.
Em entrevista ao Mining Journal, Marley Palin, chefe de inovação e do BHP Xplor, detalhou as novidades.
"A grande mudança para nós este ano é a evolução do programa, deixando de trabalhar apenas com projetos clássicos de exploração para incluir uma combinação em que dois terços ou três quartos ainda são projetos de exploração, mas quatro empresas atuam diretamente com tecnologias ou técnicas de exploração", explicou.
"E isso não é incomum, mas reflete o que estamos vendo no mercado: com a queda nas taxas de novas descobertas, não é possível continuar fazendo as coisas da mesma forma de sempre. Então a pergunta deste ano foi: como encontrar projetos incríveis? E, ao mesmo tempo, como identificar novas tecnologias e ferramentas capazes de transformar o conjunto de soluções da BHP?"
Valor
Embora o destaque frequentemente recaia sobre o cheque de US$ 500 mil concedido às empresas, Palin faz questão de enfatizar que o principal valor está no próprio programa. Inspirado nos aceleradores de tecnologia do Vale do Silício, o objetivo é transformar boas ideias em negócios estruturados.
"Apesar do incentivo financeiro, eu diria que o maior valor está no programa em si. As empresas recebem mentoria técnica, orientação em liderança e apoio em gestão de negócios a cada duas semanas ou mensalmente, dependendo da equipe e do estágio em que se encontram", afirmou.
"Elas também têm acesso a toda a rede de especialistas da BHP. Se precisarem de competências específicas — como geofísica, geoquímica, conhecimento sobre determinado tipo de depósito ou commodity — podem contar com esse suporte", acrescentou.
"O foco é realmente formar o explorador do futuro e equipes muito fortes. Para nós, isso também abre portas para diferentes projetos, mas o principal ganho da BHP é contar com times mais preparados e capacitados."
Esse valor fica evidente pelo fato de que empresas que já participaram do programa, como a Kingrose, foram aceitas novamente, agora sob o nome Frontier X.
O ex-CEO da Kingrose, Fabian Baker, e Andrew Tunningley integraram a edição de 2023, mas desta vez estão focados na exploração de urânio.
"Nossos fundadores, Fabian Baker e Andrew Tunningley, tiveram a oportunidade de participar do Xplor na primeira rodada, em 2023, uma iniciativa pioneira no setor que foi fundamental para moldar o modelo FrontierX. Estamos entusiasmados por voltar a trabalhar ao lado da equipe inovadora da BHP", publicou a empresa no LinkedIn.
"É muito gratificante ver que eles querem participar do Xplor novamente", disse Palin.
"Isso também demonstra o tipo de relacionamento e parceria que conseguimos construir por meio do programa. Nossas equipes técnicas valorizam muito esse time e a forma como conduzem seus negócios. Continuamos na Aliança Kingsrose. É uma equipe excelente e que sempre apresenta projetos interessantes", completou.
Palin também destacou que, neste ano, houve maior participação feminina entre as empresas selecionadas.
"Estamos quase em uma representação de 50% de mulheres, alinhada aos indicadores internos de diversidade da própria BHP", afirmou.
"Isso está entre minhas principais prioridades desde que comecei no Xplor, há quatro anos", explicou.
"Somos uma equipe quase totalmente feminina. O Xplor sempre teve liderança feminina. Ainda assim, quando analisávamos os participantes, não parecia representar a indústria do futuro. Por isso, seguimos priorizando a criação de um ambiente onde diferentes perfis de liderança possam prosperar."
Utah e os Estados Unidos
Outro participante fora do padrão, além das empresas de tecnologia, é o Utah Geological Survey. Diferentemente das demais organizações, que podem fechar um acordo comercial com a BHP ao final dos seis meses de participação, nesse caso a proposta é estabelecer uma estrutura de colaboração.
"Para o Utah Survey, não se trata necessariamente de fechar um negócio", explicou Palin.
"Se surgir algo interessante a partir desse trabalho, a BHP solicitará as áreas por meio do processo normal do estado de Utah. O que buscamos é usar o programa para construir uma base sólida de cooperação."
"A ideia é cofinanciar projetos com o Survey, usando o Xplor como uma oportunidade para estruturar, testar e aprimorar esse modelo."
"Depois, não apenas repetir isso em Utah, mas também replicar a abordagem em outros estados. Os Estados Unidos continuam sendo uma região estratégica para nós, e trabalhar de forma eficiente com os estados e seus órgãos geológicos seguirá sendo uma prioridade daqui para frente."


