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O primeiro workshop da ISEE no Brasil aconteceu no dia 24 de outubro, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e contou com mais de 200 participantes. Profissionais da área de mineração e empresas como Vale e Anglo Gold estiveram presentes. Um novo evento está marcado para o dia 06 de dezembro, no Departamento de Engenharia de Minas da USP.
O workshop da ISEE contou com uma programação destinada à apresentação da entidade, explanação de experiências práticas e abordagem das necessidades que envolvem o uso de explosivos no Brasil. Segundo o engenheiro Fernando Golin, da PHI Engenharia de Explosivos, o objetivo da ISEE é avançar sua ciência, através de uma estrutura que atende as necessidades da sociedade. “Os workshops, portanto, são uma forma de regulamentar, formar e capacitar profissionais”, afirmou.
O engenheiro, que foi responsável pela palestra sobre desmontes em subsolo, destaca o debate de questões técnicas relativas ao uso de explosivos. “Uma das palestras mais comentadas foi a ministrada pela Catherine Aimone Martin, consultora norte-americana com mais de 30 anos de experiência na área de análise de vibrações e danos causados pelo uso de explosivos”, disse Golin.
Golin destaca que o evento é fruto do esforço do professor Enrique Munaretti, responsável pela cadeira de desmonte de rochas da UFRGS. Em sua palestra, Munaretti explicou como é o ensino de desmonte com explosivos na universidade e as deficiências do setor no Brasil. “Há uma baixa qualificação de engenheiros e técnicos no país, o que precisa ser mudado urgentemente”, disse o professor.
Ele explica que é baixo o número de acidentes de trabalho com manuseio de explosivos no Brasil, mas eles ainda ocorrem. “Não existem estatísticas confiáveis, porém sabe-se que acidentes com morte e invalidez permanente continuam constantes. Nos EUA, em 2012, o número de acidentes com morte foi zero, sendo que o país utiliza, pelo menos, 600% mais explosivos que o Brasil”, afirmou.
Munaretti conta que a ISEE possui mais de quatro mil associados em todo o mundo, que utilizam a instituição para se atualizarem, melhorarem a percepção do uso de explosivos na mineração e auxiliarem legisladores no entendimento das técnicas e normatização. “Com a ISEE no Brasil e o constante intercâmbio de informação, podemos melhorar muito o uso de explosivos e a segurança das operações”.
A mineradora Vale esteve presente no evento explicando o Projeto Fragcom, em Itabira (MG), através de palestra ministrada por Andre Vieira e Agenor Viriato, engenheiros da empresa. A Anglo Gold foi representada pelo engenheiro Eduardo Massaini, que abordou o tema “Desafios do sublevel stoping em narrow vein, em Córrego do Sítio”.
O sucesso do workshop já garantiu a data do próximo encontro, que será realizado no dia 6 de dezembro, no Departamento de Engenharia de Minas da USP. Na ocasião, será realizada uma reunião dos sócios da ISEE no Brasil.
A programação prevê, na parte da manhã das 10h às 12h, um evento aberto ao público, com o objetivo de apresentar a ISEE, explicando o que é a instituição, os objetivos, a atuação na indústria, e alertando para a importância da qualificação da mão de obra. Na parte da tarde ocorrerá a reunião entre os sócios.
Segundo Munaretti, o próximo passo é tornar a ISEE uma instituição profissional. “De qualquer maneira, a ISEE já é realidade no Brasil, na reunião de dezembro definiremos as possibilidades de expansão”, conclui.
A International Society of Explosives Engineering – Brazilian Chapter recebeu seu certificado em 2013 e logo passou a formatar seu calendário de ações e introduzir seus princípios e missão para o mercado brasileiro. Existem 35 "Chapters" da ISEE que respondem pela entidade nos Estados Unidos, Canadá, Ásia e, na América Latina, a instituição está presente no Chile, Peru e agora no Brasil.

