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Mudanças na indústria de mineração provocam cortes de salários

Companhias mineradoras estão reduzindo os salários de seus principais executivos como medida extr...

O aumento dos custos da extração de matérias-primas junto com a desvalorização do preço das commodities, estão levando as mineradoras a adotar medias extremas de cortes de gastos. Entre elas revisão de projetos, venda de ativos, demissão de funcionários e agora redução de salários, especialmente dos CEOs, diretores e gerentes.

“Como muitas empresas, ficamos um pouco gordos, burros e felizes", disse ao Wall Street Journal, Peter Harold, diretor-gerente da Panoramic Resources, mineradora de níquel com operações no Canadá e na Austrália.

A companhia cortou em 10% a remuneração de seus principais executivos, com intuito de manter boas relações com os funcionários e as empresas contratadas, que suportaram a maior parte dos cortes de custos quando a queda na demanda da China derrubou os preços do níquel.

"Não se pode pedir aos fornecedores que façam cortes se você mesmo, no escalão superior, não está disposto a assumir também um pouco de prejuízo", disse Harold.

Essa semana a Venturex Resources, que no Brasil tem projetos de ouro nas regiões de Tapajós, Alta Floresta e Cuiabá, anunciou o corte de US$ 91.000, ou 28% do salário anual de seu diretor administrativo Michael Mulroney, como parte do plano de corte de custos.

A partir de 1 de julho, Mulroney receberá salário anual de US$ 229 mil. O bônus a curto prazo do executivo e de outros empregados também foi cancelado para o ano fiscal de 2013, que se encerrou em 30 de junho.

As australianas BHP, Crusader e Troy também anunciaram, ente ano, corte na bonificação e salários para contensão de custos.

As companhias de mineração se comprometeram a cortar bilhões de dólares nos custos de suas operações agora que a China, a maior compradora de muitas commodities, tenta controlar a especulação imobiliária e desacelerar sua economia.

Só a Rio Tinto, maior produtora mundial de minério de ferro, quer economizar mais de US$ 5 bilhões com reduções de custos até o fim do próximo ano, informou o WST.

Na BHP Billiton, o novo diretor-presidente, Andrew Mackenzie, aceitou receber um salário-base cerca de 25% menor que seu antecessor, Marius Kloppers, e um pacote de bônus mais limitado. Ele tomou posso em maio e vai receber US$ 1,7 milhão por ano, ou seja, meio milhão de dólares a menos que o antigo salário de US$ 2,2 milhões, de Kloppers.

Na Austrália, maior exportadora mundial de minério de ferro e carvão de coque, os salários subiram muito, com a economia registrando 21 anos de crescimento ininterrupto. Os salários-base pagos aos executivos das cem maiores empresas australianas aumentaram todo ano no período de uma década até meados de 2012, segundo a consultora Ernst & Young. Em alguns anos, a mediana dos aumentos anuais superou os 11%, mas o crescimento dos salários desacelerou quando a crise financeira global abalou os mercados mundiais e as empresas adotaram planos de remuneração mais baseados em incentivos.

A Troy Resources que possui minas no Brasil e na Argentina, diminuiu recentemente a remuneração da diretoria. O salário-base do seu diretor-presidente, Paul Benson, foi reduzido em 25% no ano fiscal iniciado em 1º de julho. Os salários de outros altos executivos e conselheiros da empresa tiveram redução de 10% e os incentivos serão pagos em ações, não em dinheiro.

"Quando o preço do ouro despencou, no início de abril, começamos a pensar em como reagir a esse ambiente de mudança", disse Benson, que recebeu um salário-base de 500.000 dólares australianos, ou cerca de US$ 460.000, no ano fiscal encerrado em junho de 2012, além de quase 300.000 dólares australianos em bônus e benefícios. O preço do ouro caiu 24% desde janeiro.

"Agora que vimos uma mudança significativa no preço do ouro e há preocupações reais sobre o que está acontecendo na China, as pessoas estão começando a agir como se estivesse acontecendo uma mudança de longo prazo", disse Benson.

A Newcrest Mining, mineradora de ouro e cobre, alertou no mês passado que poderá dar uma baixa contábil de até 6 bilhões de dólares australianos em seus ativos.

A Vale, maior mineradora do Brasil, não comentou se está revendo a remuneração dos seus executivos.

Já a mineradora de ouro australiana Saracen Mineral Holdings Ltd informou que seus conselheiros concordaram com cortes salariais de cerca de 20.000 dólares australianos, e o salário do diretor-gerente, Raleigh Finlayson, está sob revisão.

A Resolute Mining que opera três minas de ouro na África e na Austrália, congelou os salários dos gerentes seniores e a exploradora de urânio Deep Yellow planeja cortar os salários dos executivos e a remuneração dos diretores pela segunda vez em um ano.

Essas medidas são apenas a ponta do iceberg, disse Harold, da Panoramic Resources. "Pensando bem, considerando o setor como um todo, estávamos ganhando até demais."

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